Plenária Estudantil Classista e Combativa
No dia 25 de Junho de 2011 foi realizada a Plenária Estudantil Classista e Combativa. O objetivo de tal Plenária foi reunir estudantes de base que estão atuando em seus locais de estudo sob um programa antigovernista e classista, além disso, avaliar a conjuntura atual do Movimento Estudantil (ME) e da educação brasileira, que com os avanços da crise econômica vem sofrendo um recrudescimento dos ataques neoliberais. A determinação dos estudantes reunidos na Plenária era de iniciar desde já a organização e enfrentamento aos interesses do Capital. A partir de toda a discussão política, foi dado encaminhamento às campanhas e linhas políticas e reivindicativas para o Movimento Estudantil Combativo.
Durante a realização da Plenária Combativa, diversos estudantes demonstraram apoio ao programa da Rede Estudantil Classista e Combativa (RECC) e se solidarizaram com as lutas que esta vem construindo ao longo destes últimos anos (contra o aumento das passagens de ônibus, pelo acesso universal e contra o Novo ENEM, contra o aumento dos parlamentares, contra o REUNI, por assistência estudantil etc). Expressou-se durante a Plenária uma grande indignação de todos os estudantes diante dos ataques governamentais à educação pública, colocando a ciência cada vez mais a serviço do capital e distante dos interesses das massas populares. Estudantes de diversas localidades, como Bahia, Paraná, Maranhão, São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito federal, Ceará, dentre outras, deram seus relatos e demonstraram disposição para avançar lutando, sem se prender a meras disputas de aparatos, como fazem os governistas da UNE (hoje uma mera correia de transmissão do governo) e como caminham os paragovernistas do PSTU/ANEL.
A Plenária também contou com a presença de trabalhadores e lutadores históricos que deram a suas contribuições e saudações. Companheiros que estão construindo o Fórum Nacional de Oposições enfatizaram a necessária aliança de todas as frações da classe trabalhadora em uma Central de Classe, e saudaram a RECC como a única organização estudantil que atualmente levanta esta bandeira. Além disso, a saudação de um companheiro, que falou sobre a sua participação ativa na luta armada contra a ditadura civil-militar, e da necessidade de permanecermos nas trincheiras da luta combativa, deu a tônica dos debates que se seguiram.
A avaliação conjuntural deu base para se estabelecer as linhas táticas de atuação na realidade atual. Para tal, realizou-se um rico debate que abordou os cortes econômicos do Governo Dilma/PT (que envolvem o corte de 3,1 Bi na educação), o “Ensino Médio Inovador”, assim como o novo PNE e todo o pacote da reforma educacional neoliberal, principalmente a reforma universitária iniciada no governo Lula/PT. Além disso, foi feito uma análise da conjuntura do ME, avaliando historicamente o processo de re-fundação da UNE e sua gênese reformista, da fundação da Conlutas e os desvios oportunistas do PSTU que levaram à liquidação da própria entidade, da ANEL como um excremento da Conlutas, e por fim, a criação (à apenas dois anos) da RECC, uma rede que pretende manter-se coerente com a via combativa e antigovernista, em meio as capitulações e degenerações parlamentaristas.
A Plenária ocorreu paralelamente ao congresso da ANEL, em Seropédica-RJ. Isso permitiu observar os limites legalista e oportunistas do paragovernismo. Em meio a diversas lutas estudantis e tarefas impostas à juventude, o congresso da ANEL prendeu-se a discussão da greve dos bombeiros do RJ, uma suposta “revolução” no mundo árabe e movimentos de caráter pequeno burguês, como as marchas pela liberdade (marcha da maconha) ou marcha das vadias, inclusive reforçando um conteúdo festivo semelhante aos encontros burocratizados nos Movimentos de Área. As discussões que poderiam preparar os estudantes para os enfrentamentos necessários (Contra o novo PNE, reformas educacionais, etc) foram secundarizadas diante a propaganda de “sindicalização da polícia”, de campanhas ideológicas nacionalistas da pequena burguesia como “O petróleo tem que ser nosso” e um plebiscito legalista por “10% do PIB para educação”.
A União Popular Anarquista (UNIPA) compreende que a luta do estudante oriundo da classe trabalhadora é a luta do conjunto do proletariado, por isso é preciso ter estratégia, é preciso seriedade nos processos organizativos, para não ficarmos de meros espectadores durante as greves e mobilizações, como as que estão ocorrendo na educação brasileira. Os militantes combativos não compartilham da ideia de simplesmente “saudar” qualquer luta que se dê em outros continentes, se aqui no Brasil, a hegemonia governista e para-governista trata de desviar as lutas populares para mesas de negociação com o Governo, para aprovação de Projetos de Lei, Plebiscitos pseudo democratizantes, e demais táticas legalistas que compõe o repertório limitado do reformismo brasileiro.
A tarefa de todos aqueles que participaram da plenária é colocar em prática a luta intransigente em defesa de uma educação que sirva ao povo. Para tal, os estudantes não podem se entender enquanto um grande bloco monolítico pequenoburguês ou policlassista, pois assim nos eximimos da tarefa de lutar ao lado de nossa classe, ou seja, os trabalhadores. É esse corte de classe que deve defender o movimento estudantil combativo. Reforçar a luta por uma Educação a serviços do povo, dando sua devida abordagem de classe, foi uma das tarefas fundamentais da Plenária organizada pela RECC.
A Plenária Combativa apresentou a RECC como uma ferramenta onde o estudante-trabalhador pode efetivamente lutar por: 1º) Recursos (verbas para infra-estrutura de instituições de ensino público, assistência estudantil em geral) e; 2º) Universalização da educação pública nas suas diversas modalidades. Para isso é necessário lutar contra o filtro elitista do vestibular/ENEM e combater o fortalecimento das privatizações, defendendo que as universidades e escolas estejam nacionalizadas sob controle dos trabalhadores.
Organização e luta, este foi o tom de toda a atividade da RECC, em contrapartida aos projetos governistas e para-governistas. Organizar os núcleos de propaganda, os coletivos de curso, grêmios e oposições combativas é tarefa imediata para levar adiante uma luta bem maior. Portanto camaradas, o trabalho é árduo, mas é o caminho necessário para conquistar uma vida digna aos filhos da classe trabalhadora.